
Eu nunca soube definir:
Eu nunca soube definir a profundidade do poço.
Alguém?
Uma rua e o pó subindo no rastro do carro.
A cara mascarada perdendo-se no espaço.
A imagem do céu visto, passado, fundindo-se na nuvem suja que poderia despencar.
Quando perdemos esse tempo?
Quem?
Nunca li nada sobre o tempo perdido
— e o passamos sem jeito de saber
— o escrevi.
Onde?
Algo fora da ordem que conhecia
— sem nunca ter faltado às aulas da vida todinha
— sobre vivê-la.
Sem saber que seria tarde para decifrar o que aprendia.
Ninguém?
Os rostos cegos da janela principal iniciam o alvoroço mais doido e doído que um dia pensei.
Existiam?
Era promessa quando minha alma, ainda pequena, sentia.
Era uma vaga ideia de nunca realizar o medo e que ele era apenas fantasia.
Quais?
Senti tanto medo da rua.
Medo de ser apenas mais um certo alguém saindo de casa e querendo alimento ou vida como ninguém.
Senti medo de não ter sorte e morrer numa rampa que nunca subia.
Esquecida?
Sentidos.
Aflitos.
Urgentes.
O que é pior que o medo de abrir a porta?
Alguém?
Do mapa que contém o mundo, saltei.
O círculo que fantasio não me faz saber onde errei ou se acertei.
Talvez?
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