Outros Dias – A pólvora, o abismo, mais cedo
Mais tarde a esquina empoçada de sangue e lágrimas
O combinado na tarde quente amanheceu sem bom dia
Café com chumbo na contramão do corre-corre
Pistolas, fuzis, sub, granadas,
Antitanque, porrada
Quem vendeu a artilharia?
É da pesada
O trono da ninharia, a casa de vidro
Vidraça trincada com a ordem da tirania
O refrão é o silêncio
Jorra sangue no esguicho do pomar
O pó – de café – o pó – misturado –
A laranja espremida, o pouco sol, a pouca luz
Bando, capangas, chefia, manada
E o patrão?
Propina que cai no chão é de quem cumprir
Copiou?
Sentença antecipada
Comunidade estraçalhada
Sangue em todas as guias
25 cartas marcadas com a mesma caligrafia.
No tocante aos outros mais, o viés
No coser dos malfeitores o império e suas autarquias
“O negócio engorda aos olhos do patrão!”
É a fala da burguesia.
Está na mesa, na fumaça acinzentada, nas redes da hipocrisia
No ar, no mar, na guerra
Descrito no mapa da trilha
Na rampa de alvenaria
No golpe de tantos dias
O sangue escorrido na terra seca
O código de todas as armas.
O povo não quedará!
A chuva – revolução das águas – acordará cada grão resistente
Na terra ensanguentada, seca de árvores tombadas
O primeiro sol será avistado no horizonte, estrela maior
Florescerão as vontades semeadas na estação da aflição
O som dos tambores, as lutas do coração
O chão de toda gente
A união.
(07 de maio de 2021)
Vivian Pelodan
Cantora, Compositora e Ser Político

