Cassia Pinheiro

Inumeráveis privilégios

Fui provocada a escrever um texto. Imediatamente, pensei… Como? 

Sem tempo de respirar, me inspirei e… nas idas ao trabalho, num busão sempre lotado, mas cuja graça alcanço todos os dias de poder ir sentada (e melhor, na cadeira egoísta) — o pego antes que os corpos esqueçam a lei da física e se espremam igualzinho sardinhas em lata — fui escrevendo. Um tantinho de cada vez.

Resolvi escrever exatamente sobre “privilégios”… sabe, aqueles que temos todos os dias e que, por serem muitas vezes simples, até simplórios, não nos damos conta e só os valorizamos, tantas vezes, quando deixamos de ter? Esse aí, descrito acima é apenas um em meio a tantos!!!

O privilégio de respirar… ah, se nos falta o ar por qualquer motivo, seja de emoção,  seja porque o pulmão não ajudou, nos vemos em desespero e pensamos… meu Pai, cadê meu ar? Perde ele pra ver e vai até rezar, se for ateu, pra tê-lo de volta. Depois dele, o privilégio de estar vivo. Sem ar, isso seria impossível, por isso o classifiquei em primeiro. 

Vivo sim, do jeito que for, com dor ou sem, com problemas graves, outros nem tanto, com juventude ou velhice, com perdas e chegadas, a simples e perfeita mágica de estar vivo e poder desfrutar das pequeninas vitórias (se vierem as grandes, aleluia!!! Mais gratidão ainda). Mas estou falando aqui dos pequenos “privilégios”, esses que por serem mínimos,  tantas vezes deixamos passar. Até porque os grandes, não dá pra esconder…

O benefício privilegiado da saúde. As vezes pouca, outras muita. Poder estar com saúde… pura benção!!!

Em meio a uma pandemia, aliada a loucura desse mundo tão desigual, que não dá ou retira esse privilégio das pessoas, só gratidão pela saúde. Meu desejo de todo dia, para mim, para os meus, para todos.

Devo falar também do privilégio do corpo perfeito (a mente nem tanto… mas tudo bem, os amigos entendem e não desistem de nós, então beleza… kkk). A visão, minha no caso, nada perfeita também, mas nada que lentes de contato e óculos não resolvam, então… mais gratidão, porque tenho o privilégio de poder comprá-los.

Outros tantos privilégios quando vejo flores ou sinto seu perfume, os pássaros e seus muitos sons, um cão, um gato… tantos animais incríveis  (amooo Panda… fofo demais), quando vejo o sol, a lua, as montanhas, os mares, a areia, as árvores, as hortas, as nuvens, a chuva, os trovões e raios, o arco íris, exuberância de uma natureza que se debruça em nós, nos acalenta a alma, nos permite, por meio da admiração, encher nossa vida de esperança. Tudo de graça, ao nosso alcance,  tão perfeito!!!

Claro, nem tudo é um mar de rosas… Não mesmo. Mas se pararmos para tentar perceber tantos “privilégios” que vamos tendo pelo caminho, com certeza poderemos dizer: a felicidade existe e como meu marido dizia, é como estalactites de gelo, que podem derreter por completo, mas que devemos aproveitar enquanto pingam em nós!!!

Cássia Pinheiro

Amante das artes

Deixe um comentário