A saga do Mandacaru

Enquanto a anos o Mandacaru fulora na serra.
Aqui na minha terra, mandacaru fulora frente o mar.
Quando me sento para lembrar da areia fina branca e quente
E ouço um repente que põe a lembrar.
A flor-amarela ou rosada, que simboliza o sol e a pele queimada
Daquele poeta que um dia por lá passou.
Terra rachada, seca a vermelhada, tal qual fulô.
Poeta de alma rasgada, pela seca e pela dor.
Mesmo em meio tanta de vastidão e pé no chão
Ainda cantou.
Mandacaru quando fulora na serraaaa….
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Suor escorreu na testa e ele lembrou da linda morena
Que um dia beijou!
O mandacaru a flor danada em meio espinho que lhe inspirou
E a bela morena que ele um dia beijou.
Carrega no coração inté hoje esse amor.
Fez toda terra cantar
A menina que suspirou, sonhou e quase morre de tanto amor.
Plantou rente a janela aquela linda fulô
Pensando em seu amado, que partiu di pé em solo rachado.
Caboco sonhador!
Foi caminhar pelo mundo com sua viola, cantando seu amor.
E ela menina com todo cuidado do Mandacaru cuidou.
Segue sonhando com mente avuando feito passu cantador.
Quando sol chega ou se vai lá tá ela na janela, do lado da fulô.
Ao primeiro tilintar do triângulo, o ronco do fole da sanfona e a batida da zabumba que bate tal quar seu coração.
A menina volta no tempo bailando ao som do Baião
Dança o xote olhando na serra aquele que impera lá impera.
Simbolo do sertão!
Mandacaru que sua flor dura apenas uma noite e eu brejeira rodopio dançando prá meu zamor.
Ainda carrego na lembrança, meu pueta cantador.
Que fez pai correr pa seu dotô,achando que euzinha tavu duente de amor
Tava não, ainda tô!
Pois, meu pueta partiu, deu vorta ao mundo e nunca mais vortou.
Hoje na minha casinha ainda guardo esse amor
Sigo inté hoje cuidando do símbolo sagrado.
Do meu sertão que dá fulô
Mandacaru que da serra desceu
E ao mar chegou
Assim como meu zamor .
Ele mandacaru corre mundo ainda dando fulô.
E eu mesmo com tempo girando.
Guardo no peito esse tamanho de amor.
Katia Teixeira
Poetisa
