Lêda Maria Ferreira

Impressões

Dias desses, caiu em minhas mãos um poema —de autoria incerta— que falava de humanidades: lembrava dos limites que precisam ser respeitados numa relação de amizade. 

Difícil pensar nisso quando nos relacionamos com um grande amigo, pois este, conhece as nossas facetas, conhece nossos defeitos, mas, também, as nossas qualidades e, por isso, supomos poder dizer o que pensamos e o que sentimos, sem nos preocuparmos em utilizar filtros ou meias palavras, afinal, já demos tantas vezes prova da nossa lealdade…

Isso não é de todo, um equívoco, mas, ah… quem dera que fosse simples assim.

Um amigo é, assim como nós, uma pessoa, que tem uma história de vida. É com base nessa história, única, individual, que ele define a sua visão de mundo e a forma como se estrutura emocionalmente; é com essa visão que ele ama os amigos e se alegra com eles, mas também é com ela, que cria expectativas; que se ressente; que alimenta ideias preconcebidas e sofre, assim como nós.

Não pretendo aqui aprofundar teorias sobre as relações humanas, mas dizer de experiências vividas, com amigos muito queridos, cuja amizade, em algum momento, foi desfeita ou modificada, ressignificada, reformatada, mesmo a contragosto 

de ambos, pelo fato de termos descuidado exatamente desse ponto crucial, que é a

compreensão e o respeito aos  limites, nossos e do outro. 

Parece difícil…, mas me pego pensando, que graça teria? 

Como eu reconheceria equívocos e me disporia a modificar conceitos e certezas, se não fosse a educativa complexidade das relações humanas?  

Women on a Balcony – Charles Joseph Soulacroix (1825-1899)

Lêda Maria Ferreira

Pedagoga e Psicopedagoga

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