João Mauro Amaral dos Santos

Dentro do lado de fora do mundo: Eu sempre admirei os cronistas. Eles tiveram um papel decisivo para que eu tomasse gosto pela leitura. Ah, aquela capacidade de escrever algo interessante sobre o real, o cotidiano. E muitas vezes cotidianamente produzindo. E com a espada afiadíssima dos chefes de redação e dos editores sobre suas…

Paula Saraquine

Prece: Adoro olhar o mar. Naquela manhã resolvi levar poesia para fazer oferendas. Colhi em minha estante um poema de uma amiga que tem na alma a poesia que arde e que transborda até nos alcançar. Levei também os Manuscritos de Felipa. Escolhi alguns versos para dizer. Para você, leitor, posso confessar: escondi do mar que…

Edna Bueno

Unicórnio: Cavalo se reconhece pelo passo, pelo trotar. Tudo se sabe: se firme, se de mansidão ou arisco. O cavaleiro, pelo jeito de segurar a rédea. Sei quando é ele quem vem lá, pelo trote ritmado. Devagar, um casco, o outro, marcando o chão de terra. Sei desde cedo, que nem fosse aviso: volto rasteiro…

Cássia Pinheiro

Em tempos de… : Em tempos de guerras visíveis e invisíveis, Por que não falar das flores? Vital! “Os amores na mente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição” [Pra não dizer que não falei das flores…

Jaya Magalhães

Helena: Dancei a noite inteira cheirando seu cangote de cheiros profanos e perturbadores. Desfiz a fita amarela que segurava seus cachos espantados e me deixei enfeitiçar por todos os seus movimentos. Nunca então havia cometido pecado mais doce que aquele: o de morar nos olhos claros de Helena. Requebrava de um jeito desequilibrado, com gestos…

Carmen Lucia Pessanha

A sina de carmear: É mesmo a nítida sensação que vivo quando me ponho a pensar, intrigada, sobre o porquê de viver pensando, escarafunchando, analisando tudo que me cai nas mãos, sob o olhar, à mercê de qualquer de meus sentidos, enquanto caminho pela vida. Parece haver um vaso comunicante em linha direta entre os…

Luiza Gravina

Por uma Pedagogia Decolonial: A ideia de Colonialidade, introduzida por Aníbal Quijano no final dos anos de 1980 e início de 1990, busca, a priori, compreender as formas de colonização sofridas pelas sociedades do Novo Mundo, da África e da Ásia, bem como as reestruturações dessa lógica de dominação. É a partir desse pensamento que…

Pedro Mendes Claudino

Apresentação: quem foi Candeia? […] Se nos anos 1960 a história das escolas de samba cariocas foi marcada pela “revolução salgueirense”, em que os sambistas do morro tijucano e uma equipe de carnavalescos liderada pelo professor Fernando Pamplona, da Escola de Belas Artes, elaboraram enredos e desfiles pioneiros dedicados a temas afro-brasileiros, como Quilombo dos…

María Ester Jozami

Extranjería – Exilio y Duelo: Los efectos discursivos  en relación a  otro humano, ponen en juego  las cuestiones existenciales referentes a ¿quién soy?, ¿qué no soy?, y podríamos agregar ¿de donde vengo?, ¿adonde voy? Ahora bien, el discurso, aquél que define al sujeto (desde el psicoanálisis) como siendo efecto, presupone un triple atravesamiento : lenguaje,…

Nadiá Paulo Ferreira

Algumas reflexões sobre a contemporaneidade: Pensar nosso tempo a partir da função paterna nos leva a um capítulo da história da civilização, em que o desejo é substituído pelo dever e pelo gozo, engendrando, dessa forma, o mal-estar da condição humana e o mal-estar do eu do homem contemporâneo. Novos objetos, descobertos pelas ciências, são…