Antonio C. B. Campos – Crônica

O mascaradoEra tarde de inverno quando o reencontrei. Caminhávamos sobre as pedras das ruas, à sombra de abricós que, de tão velhos, podiam guardar em suas copas a memória dos prédios centenários e do povo da cidade. Ao sul, a capela jesuíta erguida em homenagem a São João Batista parecia nos vigiar, como fizera aos…

Mariangela Bazbuz

Universalização do Gozo e Laços Precários  “Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto. Assim, pertence às correções necessárias a serem tomadas quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o elemento contemplativo”.  NIETZSCHE, F. Humano, demasiado humano. A…

Patrícia Torres

[P]és Foi pelos pés que ela o fisgou. Não, verdade seja dita: o primeiro encanto surgiu pelas fissuras que ela provocou em sua alma quando abriu as gavetas do seu coração e lhe contou histórias de amores remendados.  Mas ela abriu as gavetas com os pés. Então, foi pelos pés que chamou sua atenção. Naquela…

María Ester Jozami

Juana la loca: una catástrofe de amor ¡Locura amorosa! ¡Pleonismo! ¡El amor ya es locura! (Heine) El célebre cuadro de Francisco Pradilla inmortalizó la imagen y su leyenda. Con este cuadro obtuvo el premio Nacional de Madrid en 1878. Allí Doña Juana, con mirar lúgubre, expresión enajenada y paños y velos negros batidos por el…

Karla Pontes

Quando tem que acontecer Só conheciam as vozes, um do outro. Uma ligação por engano – ele para a casa dela – fez com que os dois se ouvissem. E gostaram do que ouviram. Ele realmente se enganou, desacostumado que estava dessas ligações em telefone fixo. Precisou atender a um pedido de retorno na secretária…

Carmen Lucia Pessanha

De onde vem esta cobrança? Mais uma vez, o trivial simples. O de sempre, ressurgindo hoje como certamente voltará a me rondar mais dia, menos dia. Isto mesmo: basta que eu venha a pensar alguma coisa ou perceba o brotar de qualquer tipo de sentimento, quase que imediatamente quero registrar a ideia, como se minha…

Lêda Maria Ferreira

Impressões Dias desses, caiu em minhas mãos um poema —de autoria incerta— que falava de humanidades: lembrava dos limites que precisam ser respeitados numa relação de amizade.  Difícil pensar nisso quando nos relacionamos com um grande amigo, pois este, conhece as nossas facetas, conhece nossos defeitos, mas, também, as nossas qualidades e, por isso, supomos…

Renato Zanata Arnos

Verdugos Pacificadores Futuro? Verdugos Pacificadores.  Bestas! Tétricas, fétidas. Impunemente, compulsivamente. Bingo! Justiça burguesa. Necropolítica. Favelas, quebradas, carros da linguiça, valas. Condição, contexto, putrefação. Terrorismo de Estado, canarinho ou encarnado, destro ou canhoto! Futuro? Dor! Porrada!  Na fuça, cotidianamente.  Futuro? O Povo?  Tradição. De corte, escovado, esculachado.  Bala de borracha pra cegar e matar. Professor, estudante…

Luiz Claudio B. Magalhães

Estar confortável Quando criança, sei lá por volta de que idade, entrei a cultivar um hábito peculiar. Não digo singular, único, pois percebi que não me cabia constrangimento por não estar sozinho neste particular. Não me agradavam sapatos novos, preferia-os velhos, laços, já afeitos às formas dos meus pés de moleque.  Sendo o segundo filho,…

Angela Duarte

balé das quatro estações eu quero lamber os ventos que te afagam  eu quero deitar com as chuvas que te trazem eu quero me espalhar na natureza que te abriga ser o balé das quatro estações em tua vida delicadeza  ir lá assumir a vontade abraçar o prazer genuíno gostar leve sorver íntimo sal se…