Por uma janela para o mar De ladrilhos claros a parede do restaurante, alternando branco e azul. Sentaram-se lado a lado, de frente para a janela de vidro com vista para a rua – janela de dimensões largas, uma vitrine. E o garçom ali, sem arredar pé, o que vão pedir? Para comer? Para beber?…
Nadiá Paulo Ferreira
Domesticação do Sintoma & Desejo para sempre esquecido HÁ MUITOS E MUITOS SÉCULOS apareceu o ser falante… ASSIM nasceu as Línguas, a Linguagem, e o Inconsciente… EM TEMPO esses estranhos seres que falam proibiram o incesto… ASSIM Claude Lévi-Strauss (1908-2009) descobriu nesse ato o aparecimento da cultura. MUITOS SÉCULOS se passaram… até nascer Sigmund Freud…
Kristina Kohl
Crepúsculo Entre a tarde e a noite, existe um breve espaço de tempo, que dura alguns minutos, talvez não mais que dois. Enxergamos muito pouco nesse momento, nossos olhos acostumados à luz do sol, precisam deste tempo para se habituar à falta dela. Então vem a noite com suas luzes artificiais de sódio, Led, e…
Cassia Pinheiro
Inumeráveis privilégios Fui provocada a escrever um texto. Imediatamente, pensei… Como? Sem tempo de respirar, me inspirei e… nas idas ao trabalho, num busão sempre lotado, mas cuja graça alcanço todos os dias de poder ir sentada (e melhor, na cadeira egoísta) — o pego antes que os corpos esqueçam a lei da física e…
João Mauro Amaral dos Santos
República e Democracia Res publica é uma expressão latina que significa literalmente “coisa do povo”, “coisa pública”: é a expressão que dá origem à palavra república. O termo normalmente refere-se a uma coisa que não é considerada propriedade privada, mas que é, em vez disso, mantida em conjunto por muitas pessoas. É isso o que aprendemos na escola, não? É…
Carla de Almeida
Bom seria A gente não se habitua Mas como bom seria Ter esperança fresquinha Todo bendito dia A gente não se habitua Mas como bom seria Acolher o medo E a verdade que vai passar Embora nunca acabe A gente não se habitua Mas como bom seria Saber que o momento é fugaz E nem…
Vivian Pelodan
Outros Dias – A pólvora, o abismo, mais cedo Mais tarde a esquina empoçada de sangue e lágrimas O combinado na tarde quente amanheceu sem bom dia Café com chumbo na contramão do corre-corre Pistolas, fuzis, sub, granadas, Antitanque, porrada Quem vendeu a artilharia? É da pesada O trono da ninharia, a casa de vidro…
Re-vista de Humanidades – N°2
Chegamos ao segundo número da Re-vista de Humanidades. Anuncia-se o ano novo! Aproveitemos esta pausa na percepção da dinâmica do tempo para elegermos e colocarmos em prática as ideias que promovam o bem comum e resgate nossa própria humanidade. Esta revista é concebida com o intuito de colocar esse desejo em movimento e, como propõe…
Antonio C. B. Campos
Carta ao presidente: “Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado”. Não, não, não… Essa é uma canção do Baleiro. O presidente também gosta de bala, mas não é da que o Baleiro gosta. Além do mais, quero escrever uma carta e não um “Telegrama”. Vou começar de novo. Hoje eu…
Karla Pontes
Meu diário encontrado no oceano: Em 2009, o avião 447 caiu no Oceano enquanto fazia a trajetória Rio/Paris. Acontecimento trágico, do qual poucas pessoas devem ter esquecido. Naquela época, impressionou-me sobremaneira a quantidade de pessoas que embarcaram com um certo destino (ou destino certo?) e foram impedidas de chegar. Passei muitos dias tentando imaginar cada um dos…
